RECORDAR É VIVER

Com o lançamento de mais um número da revista Magazine 60+ volto a publicar o link da nova edição, assim como o artigo que escrevi para essa revista em novembro de 2019, “Vivência e Sabedoria”. Esse artigo, para minha surpresa e satisfação foi matéria de capa da revista aquele mês. Uma honra muito grande, que agora compartilho com vocês!

Segue o link da Magazine 60+ deste mês de fevereiro de 2021:

https://issuu.com/manoelcarlosconti/docs/jornal_60__20

VIVÊNCIA E SABEDORIA

Novembro de 2019 - #5

https://issuu.com/manoelcarlosconti/docs/jornal_60__5

Revendo o filme “UP – Altas Aventuras” em um sábado à noite, comendo pipoca recém estourada e tomando um suco delicioso, comecei a observar um dos personagens principais, Carl Fredricksen, um idoso e nostálgico vendedor de balões que, desde o falecimento de sua esposa, vivia recluso em sua casa, tendo por companhia suas lembranças mais caras: aquelas em que o casal fazia planos para o futuro e cultivavam o desejo de conhecer o lugar onde gostariam de morar. Por obra do destino, um jovem escoteiro de nome Russel, cruza seu caminho. Carl, nada receptivo a novidades, tenta evitar o menino a todo custo, mas Russel, com seu otimismo e ingenuidade o conduz, por caminhos nada convencionais, a realizar a viagem. A partir daí ambos vivem as mais fantásticas aventuras. O fato de o idoso e o menino se encontrarem solitários os aproxima cada vez mais e o envolvimento afetivo entre eles é inevitável. Como a de um avô com seu neto, a relação que constroem é tão significativa que chega a comover. E, aos poucos, os dois adquirem a alegria, a esperança e a crença de que dias melhores e mais alegres passarão a fazer parte de seu cotidiano, por haverem, cada um do seu modo, encontrado no outro, o que lhes faltava.

Deixando o personagem um pouco de lado e olhando a realidade de nossos idosos, é possível falar na existência de dois grandes grupos de idosos: os ativos e o dos idosos considerados como sendo mais frágeis.

Entre os idosos ativos distinguimos:

1)      aqueles que possuem disposição e energia suficientes para desempenharem bem diversas competências tanto de ordem individual como social. Tais idosos estão, sempre, em busca de ações e conhecimentos que promovam seu crescimento pessoal;

2)      aqueles que, apesar de aposentados, continuam trabalhando por dependerem de seus salários para sobreviver;

3)     aqueles que sendo avós cuidam dos netos e tomam para si a responsabilidade educacional e escolar dessas crianças enquanto os pais delas trabalham.

Entre os Idosos mais frágeis destacamos:

1)      aqueles que se encontram adoentados e necessitam de auxílio das mais diversas ordens podendo, essa condição, ser temporária ou permanente;

2)      aqueles conhecidos na Gerontologia como sendo os “empijamados”, como se mostrava o sr. Fredricksen na primeira parte do filme Up.

O processo de envelhecimento tem sido investigado pelas ciências médicas, assim como por muitas outras áreas do conhecimento. Hoje é sabido que o número de anos vividos pelas pessoas não justifica o processo do envelhecer de cada uma delas. Variáveis como fatores ambientais, biológicos, sociais, psicológicos, funcionais e cognitivos, entre outros, determinam a maior ou menor qualidade de vida e resultam em diferentes modos de viver a velhice.

Uma das situações, a meu ver, mais preocupantes é a dos “empijamados”: idosos que, por circunstâncias que talvez nem eles saibam explicar a causa, se isolaram em casa assumindo, como distração e modo de vida, a televisão ligada o dia inteiro. Talvez imaginem que “já que não vou onde o ‘mundo’ está, nada mais justo que o ‘mundo’ venha até mim”. Confinados e escravizados à ilusão de atividade que a TV lhes imprime, esses idosos vão se abandonando, relegando a segundo plano sua alimentação, saúde, higiene o que, fatalmente resultará em um estado de letargia que, aos poucos, comprometerá suas condições física e mental. Logo mais, deixarão de ser “empijamados” para engrossar o percentual da população senil.

Agora, volto a pensar no idoso do filme Up: o que Carl Fredricksen, de forma singela nos ensina? Que por mais difícil que seja, no princípio, devemos buscar a companhia de outras pessoas, inicialmente daquelas que ainda sonham viver grandes aventuras, as crianças. E, por que, justamente as crianças? Porque através delas iremos resgatar a criança que fomos e os sonhos que tivemos um dia, nos divertiremos ao observá-las em seus movimentos exploratórios de vida e convivência social e poderemos impulsioná-las com nosso conhecimento, oferecido sempre em pequenas doses, a ir além, a ousarem e a se testar.

Retomar o contato com os amigos queridos e a família também faz parte das providências a se tomar para sair da condição de ser um idoso mais frágil ou evitar chegar lá. Leia muito, faça caminhadas, tenha contato com a natureza, crie um animal, durma 8 horas por noite, coma o que lhe faz bem, esteja atento ao que acontece ao seu redor, treine sua memória, sua atenção, faça cursos, pratique a empatia.

Agindo dessa forma, alinharemos nosso envelhecer às condições que cada etapa de vida nos presenteou. E, somente assim, poderemos desfrutar da sabedoria que, reconhecidamente, só os idosos possuem – e que muitos deles desconhecem ter.

PRESENTE AOS LEITORES: ARTIGOS DA REVISTA MAGAZINE 60+ .

Em setembro de 2019 comecei a participar, como articulista, de uma revista digital criada para trazer às pessoas idosas informações relevantes sobre saúde, orientações diversas, relatos de experiências de vida, assim como fatos históricos, científicos, sociais e políticos que desencadearam nosso modo de ver e viver o envelhecer.

A revista, Magazine 60+, foi projetada e é organizada por Manoel Carlos Conti, artista plástico e jornalista. A revista se consolidou e hoje conta com uma equipe numerosa e diversificada de profissionais que respondem pela publicação dos artigos mensalmente apresentados.

Conheça a edição #19 de Janeiro de 2021.

https://issuu.com/manoelcarlosconti/docs/jornal_60__19

Basta acessar o link que a Magazine 60+ estará à sua disposição, podendo ser aberta quantas vezes forem necessárias para você se inteirar do que acontece no “mundo 60+”

Há algum tempo constatei a presença, entre os leitores dessa revista, de pessoas mais jovens. Esse fato me fez perceber que a Magazine 60+ atende ao público com mais de 60 anos, mas também às pessoas que pretendem chegar lá e ir além.

Pensando neste público, achei boa ideia transcrever no blog alguns artigos mensais, iniciando pelo primeiro que escrevi para aquela revista. .

Mensalmente, a cada lançamento de uma nova edição, o blog da Feliz Idade disponibilizará o link da revista e postará um artigo de minha autoria publicado em edições anteriores da Magazine. Espero que vocês apreciem!

COMER E COÇAR... É SÓ COMEÇAR

Outubro de 2019 - #4

https://issuu.com/manoelcarlosconti/docs/jornal_60__4

Uma das principais queixas que fazem as pessoas ao chegarem aos sessenta anos, e daí para frente – principalmente após a aposentadoria –, diz respeito à memória, melhor dizendo, às falhas que começam a perceber em relação às suas memórias. De forma geral tais idosos se reconhecem, a partir dessa constatação, como fazendo parte de uma população de idade avançada, na qual é esperado que ocorram lapsos de memória juntamente com seu progressivo declínio, tudo isso como consequência do envelhecer.

O pior, é que muitos deles se convencem que essa é a realidade, sem notar que, assim, estão perpetuando uma ideia antiga e ultrapassada de que o idoso é alguém frágil, debilitado e que necessita de amparo constante. Não percebem que envelhecer não equivale a adoecer e que a velhice corresponde a mais uma etapa na vida de quem chega aos 60 anos e vai além; uma etapa de vida ainda pouco conhecida pelos estudiosos e população em geral.

Como todas as etapas de vida, a velhice também possui suas particularidades, seus caminhos e encruzilhadas, suas conquistas e alegrias, perdas e limites.

Senão, vejamos: “memória é a capacidade do sistema nervoso de adquirir e reter habilidades e conhecimentos utilizáveis, o que permite aos organismos vivos beneficiar-se da experiência” [1]. Aprender é processo inerente ao ser humano. A aprendizagem ocorre pela capacidade que possuímos, entre outras, de memorizar e, assim, nos beneficiarmos das experiências vividas. Ao nos permitirmos viver experiências diversificadas estaremos, no mínimo, acrescentando conteúdos novos àqueles já adquiridos e, com isso, ampliamos nosso repertório de conhecimentos, o que resulta em novas condições de raciocínio e entendimento do mundo que nos rodeia, bem como das ações que podemos promover para chegarmos a resultados desejados.

As pessoas estão sempre aprendendo, pois o desejo de entender e de se aprofundar em determinados conhecimentos é permanente e o desafio para conhecer é constante. Desejo e desafio só esmorecem se a pessoa se isolar do convívio social, ignorar sua curiosidade e se render a um “tempo de espera”; se imaginar que o idoso vive a condição de ser inútil. Por isso, creio ser fundamental definir o quê entendo por idoso:

Idosa é a pessoa que, mesmo possuindo idade avançada, apresenta a energia, a alegria, a disponibilidade, o interesse, a curiosidade, o bom humor semelhante ao de quando ainda era jovem, como se ainda jovem fosse. Isso porque ser jovem ou velho não depende da quantidade de anos vividos, mas da qualidade com que essa pessoa foi capaz de vivê-los e do temperamento que construiu ao longo das inúmeras experiências vivenciadas. O idoso aproveita aquilo que de melhor apreendeu unindo a jovialidade que conheceu quando adolescente à experiência formada nos seus muitos anos de vida. E, assim, pode se abrir para a espiritualidade!

E a questão da memória, origem desta reflexão? Muitos de nossos esquecimentos encontram-se associados a um fenômeno chamado de “desatenção”, quando deixamos de observar os detalhes para atentar ao todo da situação. Assim é possível que não lembremos onde colocamos a chave do carro ou se a consulta médica foi marcada para hoje ou para amanhã. Outros fatores que interferem em nossa memória são o “bloqueio temporário” que provoca o esquecimento de algo que conhecemos como, por exemplo, o nome de uma rua ao relatarmos o trajeto que fizemos para chegar a um determinado local. “Está na ponta da língua” é o que mais se fala nessas circunstâncias. Há também os esquecimentos devido à “transitoriedade”, isto é, ao esquecimento que ocorre com o passar do tempo, talvez devido ao pouco uso da informação. Esses são os tipos mais comuns das queixas sobre memória que todas as pessoas, independentemente da idade que possuem apresentam. Não é algo típico do idoso!

O ditado popular nos alerta: “usar para não perder” é o que se recomenda para termos um envelhecimento saudável. Usar nosso corpo e nossa mente o mais que pudermos, exercitando nossos conhecimentos, nossas memórias, nosso convívio social, nossa visão de mundo. Somente assim garantiremos saúde, disposição e alegria na velhice. “Comer e coçar...”



[1]  Gazzaniga, Michael S., Heatherton, Todd F. Ciência Psicológica: mente, cérebro e comportamento; Porto Alegre: Artmed, 2005


JOGO FAMILIAR EM TEMPOS DE PANDEMIA



A pandemia que atinge cada recanto deste planeta aos poucos nos mostra, ou melhor escancara , o quanto desconhecemos ou não nos importamos com o equilíbrio dos diversos universos que se interpõem formando um todo uniforme.

Já que as famílias estão confinadas em suas casas, por que não criarmos o hábito de registrar para a posteridade, aquilo que estamos descobrindo a respeito desta época? Convide as crianças, adolescentes, adultos e idosos que moram em sua casa a relatar aquilo que estão observando em termos de mudança de hábitos, tanto no universo familiar quanto na sociedade brasileira e mundial. 

Para que isso ocorra é importante que esse registro se transforme em um exercício diário, que as pessoas respeitem as opiniões umas das outras e possam também concordar, discordar, complementá-las, aprofundá-las de forma a traduzir a atualidade de suas vidas, de seus interesses, desejos e frustações. 

Por exemplo: pela manhã, durante o café com a família, é possível reservar alguns minutos para que cada integrante do grupo sugira temas que serão assumidos pelos demais como os que serão analisados, contemplados no decorrer daquela semana, ou nos próximos dez, quinze dias. Todos, da sua forma, ficarão responsáveis por realizar pesquisa sobre os assuntos selecionados e deverão apresentar suas conclusões quando se sentirem preparados para isso, mas dentro de um prazo em que todos estabeleceram juntos.

Por escrito ou através de áudio, o importante é que todos participem do registro desses assuntos, fundamentando sua opinião com informações resultantes de pesquisas abalizadas – para isso é preciso que as crianças recebam orientação dos adultos que deverão incentivá-las a, cada vez mais, diferenciar na mídia, notícias e análises reais, verdadeiras, daquelas em que se noticiam inverdades ou fake news, sempre pensando no registro dos fatos que, no decorrer do dia será feito e questionado pelos demais elementos do grupo familiar, muito mais no sentido de se garantir reflexão e análise sobre o assunto que será comentado para as gerações que ainda virão.

Quais os benefícios que esta atividade oferece?
Em primeiro lugar, poderá ocupar parte do espaço reservado ao estudo tradicional, principalmente em se tratando da lição de casa e da exposição, pelo professor, do conteúdo a ser ensinado: o fato de todos os parentes se organizarem antecipadamente para garantirem sua participação nos debates que ocorrerão no prazo marcado e aceito por todos, incentivará a produção de conhecimentos novos,  que serão aprofundados ou atualizados; 
Estimula o trabalho em equipe: evidente que em se tratando de crianças mais novas, deficientes, pessoas adoentadas e mesmo alguns idosos, a colaboração de outras pessoas do grupo se faz importante. Este é um modo de integrar os familiares em ações conjuntas de pesquisa, análise de acontecimentos e reflexão sobre passado, presente e futuro.
Favorece o conhecimento de acontecimentos passados, que foram vivenciados pelas gerações mais velhas, assim como de fatos vividos pelas crianças e adolescentes que, talvez, nunca tenham sido discutidos.

Que tal pensarmos em colocar em prática essas sugestões? Certamente esses serão momentos que contribuirão para a união da família e que, mais tarde, serão lembrados com saudade.  

RESGATANDO HISTÓRIAS FAMILIARES

 

 Houve um tempo em que se dizia que o centro da casa era a cozinha. Era de lá que vinham os aromas juntamente com o “convite” não enunciado, para que a família se reunisse nesse lugar privilegiado.

Existem histórias, aventuras, tradições que fazem parte das famílias. Recordá-las é um modo de se garantir a sensação de pertencimento a um grupo que possui raízes e como as árvores podem oferecer sua sombra e florescer.

Aromas e sabores são capazes de despertar memórias afetivas – ou criá-las. A criança começa a se habituar com a linguagem da culinária para conquistar autonomia. Também desenvolve o senso de equipe, de planejamento, de organização, flexibilidade mental, motivação e persistência do esforço até a finalização do objetivo, atenção, memória e autocontrole.

Reunir a família para recordar/ensinar culinária é atividade intergeracional que pode ser feita reunindo pessoas das diversas gerações: avós, pais, netos. A família toda interage.

Aquela torta de camarão, feita nas festas de final de ano, o bolo inglês que foi motivo inclusive para dar início a um sonho, à aventura de criar seu próprio negócio – e por que não?   

As fotos antigas da família, registrando quem se responsabilizava pelo toque final dos doces e tortas, tudo isso é motivo mais que suficiente para cultivar nas crianças o prazer em confeccionar algo cuja receita a família mantém como tradição.

As crianças estão ávidas por aprender e os avós por ensinar. Na cozinha há possibilidade para todos, independentemente da idade e da dificuldade que cada um possa apresentar.

Distribuir as tarefas compete aos adultos. Para isso faz-se necessário ter em mãos alguns equipamentos: uma balança, medidas equivalentes a 1 xícara, ½ xícara,  1 colher de sopa, de sobremesa, de chá e café. Converter os ingredientes secos em gramas e os líquidos em mililitros serão aquisições inestimáveis para as crianças.

Untar a forma, fazer a calda, descobrir como deixá-la brilhante são conhecimentos para a vida toda. Cronometrar o tempo para assar, assim como participar da lavagem da louça usada, da arrumação da mesa para o lanche, com suco ou chá, promovem o bom gosto e o prazer de se fazer algo bonito, que certamente contribuirá esteticamente para que se crie um ambiente de harmonia, paz de espírito e muita troca de informações.                                                                           



COMO DESENVOLVER A MEMÓRIA AUDITIVA

 

Houve um tempo em que as famílias, ao final da tarde, início da noite, se reuniam nas calçadas de suas casas; cada pessoa levando uma cadeira de praia, dessas de fácil montagem, e passavam horas conversando, brincando com os pequeninos, acompanhando os mais jovens em suas aventuras e desventuras de adolescência. Não só a família participava, como também, muitas vezes, a vizinhança toda.

Talvez não voltemos jamais a atividades tão românticas, saudosas e gostosas, mas por que não, nas tardes modorrentas de finais de semana, ou nestes dias em que a família inteira está obrigada a conviver em isolamento, crianças, vovós e vovôs não joguem um jogo – não precisa contar para ninguém que é uma atividade terapêutica – muito divertido e estimulante?

As atividades intergeracionais possuem como objetivo fundamental a possibilidade de aprofundar os vínculos familiares entre as diversas gerações que compõem uma família, de modo a facilitar a comunicação, o respeito, as memórias familiares, a importância de cada pessoa e do grupo como núcleo familiar.

Envelhecer traz muitas vezes, uma certa dificuldade em ouvir com a mesma clareza de tempos atrás. Alguma insuficiência auditiva pode representar um esforço maior ao participar de atividades em grupo e muitos idosos podem preferir isolar-se, o que representa a pior escolha, pois juntamente com o isolamento, não raro a falta de atenção, de concentração e outras condições limitantes também podem ser fazer presentes.  

A família pode contribuir para desenvolver a memória dos idosos. Em um jogo colaborativo que envolve diferentes gerações – é o princípio da integração intergeracional.

·       É possível acionar um aparelho elétrico conhecido por todos, por exemplo uma batedeira de bolos, e sem que as pessoas a vejam, propor que descubram do que se trata. Pode ser também o som de uma ou várias moedas ou diferentes objetos caindo.

·       Pode-se também usar um instrumento musical – melhor ao vivo, mas pode ser uma gravação – como uma flauta, um violão, triângulo.

·       É possível preencher copos de vidro ou garrafas com quantidades diferentes de água, bater levemente com colheres e pedir que a pessoa identifique a variação do som – notas musicais para quem tiver algum talento, mas não é obrigatório.

·       A possibilidade de alguém se utilizar dos sons, recordando uma melodia conhecida por todos, pode servir como estímulo para que os outros participantes também a reconheçam e elaborem, por exemplo, um ritmo diferente ou uma variação na melodia que deverá ser seguida pelo restante do grupo. Melhor ainda, se cada um a seu tempo, empregar uma variação a ser seguida pelas outras pessoas.

Bom divertimento!




IDOSOS PODEM CONQUISTAR OS JOVENS, SE DIVERTIR ENSINANDO E APRENDENDO






Na relação com os jovens, principalmente as crianças – chamamos de intergeracional – os idosos podem criar um ambiente de aprendizado. Entretanto, a maior conquista será que todos se divertirão muito e os laços de amor serão aprofundados.

Primeiro de tudo é preciso lembrar que aprender é atividade inerente ao ser humano em qualquer idade. O homem é curioso, pensa, questiona, coloca em dúvida a ordem estabelecida e percebe possibilidades inéditas de agir. O fato de questionar-se e indagar o ambiente o faz buscar responder suas perguntas, encontrar alternativas de soluções que possam satisfazê-lo. Assim, fazendo aprende. Através do ensaio e erro, de acertos e desacertos se desenvolve e, ao mesmo tempo, participa e auxilia no desenvolvimento da sociedade. Isso é uma vantagem para os idosos, eles erraram e acertaram mais; portanto sabem!

Aprender gera prazer. Por ser ato pessoal é experiência única, intransferível. É prática que se vive, sempre, individualmente, conquista de cada um, embora possa ser socializada como conhecimento adquirido.

Cada pessoa ao se desenvolver repete, em suas experiências, o modo como a humanidade se desenvolveu. Assim, para toda a aprendizagem há um percurso de maturação a ser feito e, como resultado, teremos pessoas mais ajustadas ao seu ambiente, com vivências únicas que transformam sua realidade, fortalecendo-as nos aspectos físicos, cognitivos e psicossociais.

Por onde se dá início às aprendizagens? Pelos órgãos dos sentidos: visão, audição, paladar, tato e olfato. O ambiente em que a criança vive é rico em estímulos. Desde o útero, o bebê se acostuma com os sons que ouve, seja do organismo de sua mãe ou de sua voz; a partir do sexto mês de gravidez, já com os ouvidos totalmente desenvolvidos, escuta o ambiente externo e a ele responde.

Ao nascer, uma profusão de odores, sabores, imagens, toques, ruídos, cores desafiam a criança e a instigam a desbravá-los. Ela se vale de todos os recursos disponíveis e interage com o ambiente. E sobre ele aprende, conquista novos conhecimentos. Conhecendo o seu entorno, aprofunda-se no conhecimento sobre si mesma.

Há um sem número de atividades que poderão ser aproveitadas para estimular os órgãos dos sentidos e mantê-los preservados tanto das crianças quanto das pessoas idosas.

Comecemos pelo tato.

Separe vários objetos, utilizando desde gravuras retiradas de revistas, fotos familiares, novelos de lã, tecidos, talheres, pincéis, brinquedos e tudo o que se puder colocar em uma caixa fechada ou em um saco de TNT grande.

O mais importante, aqui, é que os objetos usados não sejam unicamente ilustrações impressas que muitas vezes distorcem o estímulo e refletem uma realidade distante, talvez desconhecida para quem participa do jogo.

A foto de um coelho, por exemplo, pode ter um título? Quem pode dizer algo sobre ele? Como é tocá-lo? Qual a sensação que dá? Com o que se parece? É macio? Áspero? O que ele come? Como anda?

Aqui vale fazer o maior número de referências sobre o coelho, comparando-o aos objetos que estão na caixa ou no saco de TNT. As crianças, adolescentes, adultos e idosos que participam deste momento têm histórias para contar sobre sua experiência com este animal?

O vovô e a vovó podem transformar as brincadeiras com seus netos – e mesmo com adolescentes desde que descubra quais seus interesses - ajustando estas dicas. Atenção: vocês estão em um processo de ensino e aprendizagem, porém têm que ser brincando e se divertindo.

 


A BENÇÃO DE ABENÇOAR




Conversando com amigos, há tempos, quando encontrá-los era uma realidade palpável e corriqueira em nossas vidas, falamos sobre o significado da benção. O que mais me sensibilizou nesta conversa foi o fato de nos referirmos à benção como tendo um efeito duplo: o desejo de que a pessoa a quem se abençoa receba o melhor que se pode a ela desejar e, ao mesmo tempo, o fato de que essa benção repercute na pessoa que a proferiu como alguém a quem a vida também abençoa.

Voltando para casa pus-me a pensar no significado que demos à benção, não sem antes lembrar que quem nos abençoa geralmente são os pais, assim como os religiosos de forma geral, solicitando à divindade na qual creem vida longa, harmoniosa, justa e honesta a quem abençoam.
Assim pensando, fui percorrendo caminhos de bênçãos que recebi ao longo de minha vida, até que me veio à lembrança algo que vivi com minha mãe quando ela, após um implante de marcapasso, já não conseguia deslocar-se com a mesma desenvoltura de antes, pela casa em que vivera por mais de cinquenta anos, após casar-se com meu pai.

NESTES TRISTES TEMPOS, VIVER A VIDA PLENAMENTE



As férias escolares de julho ainda não haviam começado e uma amiga me disse que “detestava as férias, pois durante esse período ela não fazia nada, ficava ociosa, desperdiçava um tempo que seria de aprender muitas coisas”. Disse ainda, que “gosta de interagir com as pessoas e que, uma vez em férias, quase não sai do quarto”. E, para dar ênfase ao que dizia completou: “Eu gosto mesmo é da escola; meu sobrenome é escola, tanto que eu gosto de estar lá. Malu, você pode me ajudar?” 

Esta amiga é a Cacá. Nasceu com paralisia cerebral e há vinte anos depende de uma cadeira de rodas. Como resposta a seu pedido disse-lhe que poderia ajudá-la a tornar as férias mais divertidas e gostosas. E a convidei para escrever uma história, mesmo que fosse daquelas que começam com “Era uma vez...”. Cacá, no entanto, considerou falar sobre uma história real e sugeriu que escrevêssemos sobre a viagem à Disney que ela fez com sua família quando completou 19 anos.

NOVIDADES NO GRUPO E NO BLOG

Nosso BLOG DA FELIZ IDADE está beirando os 5.000 vistantes em menos de um ano. Nosso GRUPO DA FELIZ IDADE em pouco mais de um mês já é uma comunidade de 250 pessoas e está crescendo semana a semana.

Nosso projeto de QUALIDADE DE VIDA & IDOSOS tem atraído interesse para nossa causa.
Em fevereiro estarão "no ar" duas novidades, ainda em fase de elaboração técnica.

1 - Postagens classificada em TÓPICOS onde cuidadores, hotéis para idosos, eventos, ofertas e procura de profissionais poderão divulgar seus serviços.
2 - Discussões sobre temas de interesse a idosos em UNIDADES, para discussão franca e aberta sobre concentração, memória atenção, planejamento,vida social.

Aguarde mais informações sobre como participar.

A FONTE DA ETERNA JUVENTUDE


Esta crônica foi uma das mais lidas, quando nosso blog tinha pouco mais de 200 visitas.
Neste começo de ano vale a pena oferecer para os mais de 4.000 leitores. 
Boa leitura!


Uma coisa é certa: não é a idade que importa quando se trata do envelhecer. Lembro-me de meus pais, não sei precisar a idade que tinham, mas, certamente tinham 60 anos ou mais. Eles diziam que às vezes se assustavam ao ter que citar a idade que possuíam, já que esta em nada  coincidia com a energia que sentiam ter. E nesses momentos de reflexão e recolhimento, meu pai ainda dizia: “Quem me dera ter a disposição que tive nos meus 30 anos somada à experiência que possuo hoje!” E completava: “Ninguém me superaria!”

FELIZ ANO NOVO

Agradecemos aos quase cinco mil visitantes que prestigiaram nossos blog, página e grupo da FELIZ IDADE.

Em 2020 vamos juntos  continuar contribuindo para a qualidade de vida dos idosos.

Voltaremos com nossas postagens de toda quarta-feira a partir de 8 de janeiro de 2020.

Feliz Ano Novo!

FELIZ NATAL


Desejamos que todas a famílias tenham um Natal de paz e amor e façam que os vovôs e vovós vivam uma FELIZ IDADE. .

Voltaremos com nossas postagens de toda quarta-feira a partir de 8 de janeiro de 2020.

A imagem é divulgação do concurso de presépios de Araçatuba-SP

https://aracatuba.sp.gov.br/festival-natal-feliz-realiza-concurso-de-presepios/

LEMBRANÇAS DE NATAIS PASSADOS


Algo que os idosos têm de muito bom são as lembranças sobre os mais diversos assuntos; guardam carinhosamente em um cantinho de suas mentes e corações. Quase sempre, relatam para seus amigos e parentes algumas dessas recordações adaptando-as à compreensão de quem as ouve não importando a idade que esse público tenha.

Sempre gostei de passar as festas de Natal e de ano novo junto da minha família. Eram eventos que solicitavam a presença dos parentes mais próximos, que falavam sobre fraternidade, união, gratidão, esperança e fé.

UM JOGO DIVERTIDO PARA UNIR A FAMÍLIA NAS FESTAS DE FINAL DE ANO


As festas de final de ano estão chegando e com elas a alegria dos encontros entre familiares, às vezes com representantes de três ou quatro gerações unidos para renovar os laços de amizade e parentesco.

É sempre muito bom, para quem sabe aproveitar tais ocasiões, reconhecer o quanto a família cresceu, quais pessoas gerou, como evoluiu em sua cultura, às práticas sociais, valores, afetos, criou raízes, flores e frutos.  Para o idoso, contemplar a família representa conferir a história do grupo percebendo a maturidade e autonomia alcançadas, a estrutura de cada subgrupo que a constituiu, conferindo a cada pessoa o valor e a grandeza que a ela cabe nessa delicada trama tecida a muitas mãos e que ainda se encontra em formação. Entretanto, dirão as pessoas das gerações mais jovens: é “coisa de velho”. E eu lhes responderei com a maior alegria:

PROBLEMAS DE VISÃO, AUDIÇÃO E PALADAR NOS IDOSOS


Desde a meia idade, por volta dos quarenta anos, os problemas dos idosos começam a aumentar de maneira quase imperceptível. Aos poucos, eles vão percebendo que não conseguem ler os rótulos dos produtos que consomem, não ouvem o som das notas mais agudas e, dificuldades com olfato e paladar, os levam à perda do apetite.

Com os avanços da medicina, da tecnologia - do conhecimento humano enfim - a perspectiva de vivermos mais e melhor é uma realidade quase palpável. Estamos todos envelhecendo bastando, para isso, nos mantermos vivos. Simples assim!

A cada dia vivido ficamos 24 horas mais próximos da velhice, que correspondem a 1.440 minutos a

CUIDAR E SER CUIDADO, UMA RELAÇÃO DE AMOR


Um amigo enfrentou a morte de seu velho companheiro, um cachorro. Uma história de amor, cuidado e perda. Vai nos ajudar a compreender a grandeza, as dificuldades, as angústias, os dilemas na relação entre quem cuida de um idoso e do idoso que é cuidado.

Algo de muito especial ocorre nas relações entre quem cuida e quem se permite ser cuidado. Algo muito íntimo, inquebrantável; diria mesmo que sagrado. Não é fácil encontrar relações desse nível, pois muitas questões de ordem subjetiva acompanham a decisão de cuidar e a permissão de ser cuidado e a distorcem, subestimam, competem entre si tornando obrigação aquilo que deveria ser baseado na doação.

Houve um tempo que em seu sítio moravam muitos cachorros. Alguns foram abandonados na

QUANDO SE VIVE SÓ


Em um mundo tão agitado, sem tempo para nada e repleto de possibilidades em todas as áreas e contextos, chega a ser estranho saber que alguém vive só. Ainda que este alguém possua mais de 60 anos alguns hão de perguntar: “Como pode alguém morar em uma metrópole como São Paulo e viver só; pois se é aqui que todos se encontram e tudo acontece!”.

Estar só não é estar obrigado a viver recluso, sem contato com a família, amigos ou o restante do mundo. Estar só, por vezes, significa uma opção pessoal, principalmente se o idoso goza de saúde física e mental. Estar só, pode representar resposta à necessidade de recriar sua identidade em uma época na qual as responsabilidades maiores já não são as que nos acostumamos a ter durante nossa vida profissional ou pessoal.

A aposentadoria para muitos idosos constitui o marco real do envelhecimento – e aqui se colocam

DOR FÍSICA E DOR DA ALMA

Desde muito cedo, antes mesmo de sequer termos consciência de quem éramos, a dor física estava presente em nossas vidas. A primeira reação de vida manifestada pela criança, e ansiosamente aguardada pelos adultos que a rodeiam, é o seu choro, consequência da dor provocada em seus pulmões pelo ar que os preenche. Todos sorriem e somente o recém-nascido chora.

A dor física nos acompanha durante toda a vida parecendo aumentar com a velhice, graças ao sedentarismo, à alimentação deficitária, às doenças que nos acompanham nestes nossos percursos. Sem nunca nos habituarmos a elas, passamos a vida tentando evitá-las ou, quando muito, minimizá-las. 

Que o digam os inúmeros remédios estocados em nossas casas: aspirinas, relaxantes musculares,

O QUE VALORIZAR NA NOSSA VIDA


De vez em quando me percebo pensando na vida – e qual idoso não faz isso? Neste final de semana, em meu caderninho de anotações e ideias, escrevi:

Dificilmente encontraremos alguém que esteja plenamente satisfeito com o modo como vive. Neste exato momento, inúmeras pessoas em todo o mundo se questionam sobre os valores que nos impuseram como sendo verdadeiros e, às vezes, únicos para garantir a felicidade das pessoas – e dos idosos - na sociedade em que vivemos.

Buscava, com essas considerações, iniciar a postagem a ser publicada esta semana. Relia o livro

ENVELHECIMENTO ATIVO

Quando o assunto é o idoso, muito se fala em envelhecimento ativo. Mas, quanto de atividade – e quais atividades – deve ser feito para participar do grupo de idosos que envelhecem ativamente?

A resposta inclui exercícios físicos regulares, dieta saudável, manter-se mentalmente ágil por meio de exercícios de cálculo ou exercícios lógicos, investir em sua vida social, dormir bem, conhecer lugares novos, controlar o cansaço e o estresse, fazer ginástica aeróbica, não fumar, divertir-se das mais variadas formas, manter boas relações familiares e muitas outras recomendações.

Dificilmente haveremos de encontrar alguém que preencha todas essas condições. Então, a pergunta que nessa hora se apresenta é: então o envelhecimento ativo é uma utopia?