Eu me pergunto: o que é ser idoso? E mais: por que nossa sociedade teme tanto a velhice? Sentindo-me bastante saudável e com energia suficiente para me lançar em novos desafios, olho no espelho e nele vejo meu rosto refletido. Com olhar avaliador detenho-me para me observar.
Noto que parte de meus cabelos continuam castanhos, embora seja necessário reconhecer que há bom tempo fios prateados começaram a substitui-los. Logo mais, serão maioria... Minha pele não mais apresenta a flexibilidade e o viço de antes e rugas se aprofundam e se tornam marcas que, como cicatrizes, me acompanharão em minha velhice.
Na tentativa de me reconhecer nessa imagem que também me examina, noto meu olhar: este ainda possui certo brilho por onde transparece a pessoa romântica, sonhadora e idealista que fui em minha juventude e na maturidade. Há algo, porém, que os diferencia: meu olhar do passado era um tanto fugidio, assustadiço e tímido, embora revelasse, dependendo da circunstância, o entusiasmo e a