RESGATANDO HISTÓRIAS FAMILIARES

 

 Houve um tempo em que se dizia que o centro da casa era a cozinha. Era de lá que vinham os aromas juntamente com o “convite” não enunciado, para que a família se reunisse nesse lugar privilegiado.

Existem histórias, aventuras, tradições que fazem parte das famílias. Recordá-las é um modo de se garantir a sensação de pertencimento a um grupo que possui raízes e como as árvores podem oferecer sua sombra e florescer.

Aromas e sabores são capazes de despertar memórias afetivas – ou criá-las. A criança começa a se habituar com a linguagem da culinária para conquistar autonomia. Também desenvolve o senso de equipe, de planejamento, de organização, flexibilidade mental, motivação e persistência do esforço até a finalização do objetivo, atenção, memória e autocontrole.

Reunir a família para recordar/ensinar culinária é atividade intergeracional que pode ser feita reunindo pessoas das diversas gerações: avós, pais, netos. A família toda interage.

Aquela torta de camarão, feita nas festas de final de ano, o bolo inglês que foi motivo inclusive para dar início a um sonho, à aventura de criar seu próprio negócio – e por que não?   

As fotos antigas da família, registrando quem se responsabilizava pelo toque final dos doces e tortas, tudo isso é motivo mais que suficiente para cultivar nas crianças o prazer em confeccionar algo cuja receita a família mantém como tradição.

As crianças estão ávidas por aprender e os avós por ensinar. Na cozinha há possibilidade para todos, independentemente da idade e da dificuldade que cada um possa apresentar.

Distribuir as tarefas compete aos adultos. Para isso faz-se necessário ter em mãos alguns equipamentos: uma balança, medidas equivalentes a 1 xícara, ½ xícara,  1 colher de sopa, de sobremesa, de chá e café. Converter os ingredientes secos em gramas e os líquidos em mililitros serão aquisições inestimáveis para as crianças.

Untar a forma, fazer a calda, descobrir como deixá-la brilhante são conhecimentos para a vida toda. Cronometrar o tempo para assar, assim como participar da lavagem da louça usada, da arrumação da mesa para o lanche, com suco ou chá, promovem o bom gosto e o prazer de se fazer algo bonito, que certamente contribuirá esteticamente para que se crie um ambiente de harmonia, paz de espírito e muita troca de informações.                                                                           



COMO DESENVOLVER A MEMÓRIA AUDITIVA

 

Houve um tempo em que as famílias, ao final da tarde, início da noite, se reuniam nas calçadas de suas casas; cada pessoa levando uma cadeira de praia, dessas de fácil montagem, e passavam horas conversando, brincando com os pequeninos, acompanhando os mais jovens em suas aventuras e desventuras de adolescência. Não só a família participava, como também, muitas vezes, a vizinhança toda.

Talvez não voltemos jamais a atividades tão românticas, saudosas e gostosas, mas por que não, nas tardes modorrentas de finais de semana, ou nestes dias em que a família inteira está obrigada a conviver em isolamento, crianças, vovós e vovôs não joguem um jogo – não precisa contar para ninguém que é uma atividade terapêutica – muito divertido e estimulante?

As atividades intergeracionais possuem como objetivo fundamental a possibilidade de aprofundar os vínculos familiares entre as diversas gerações que compõem uma família, de modo a facilitar a comunicação, o respeito, as memórias familiares, a importância de cada pessoa e do grupo como núcleo familiar.

Envelhecer traz muitas vezes, uma certa dificuldade em ouvir com a mesma clareza de tempos atrás. Alguma insuficiência auditiva pode representar um esforço maior ao participar de atividades em grupo e muitos idosos podem preferir isolar-se, o que representa a pior escolha, pois juntamente com o isolamento, não raro a falta de atenção, de concentração e outras condições limitantes também podem ser fazer presentes.  

A família pode contribuir para desenvolver a memória dos idosos. Em um jogo colaborativo que envolve diferentes gerações – é o princípio da integração intergeracional.

·       É possível acionar um aparelho elétrico conhecido por todos, por exemplo uma batedeira de bolos, e sem que as pessoas a vejam, propor que descubram do que se trata. Pode ser também o som de uma ou várias moedas ou diferentes objetos caindo.

·       Pode-se também usar um instrumento musical – melhor ao vivo, mas pode ser uma gravação – como uma flauta, um violão, triângulo.

·       É possível preencher copos de vidro ou garrafas com quantidades diferentes de água, bater levemente com colheres e pedir que a pessoa identifique a variação do som – notas musicais para quem tiver algum talento, mas não é obrigatório.

·       A possibilidade de alguém se utilizar dos sons, recordando uma melodia conhecida por todos, pode servir como estímulo para que os outros participantes também a reconheçam e elaborem, por exemplo, um ritmo diferente ou uma variação na melodia que deverá ser seguida pelo restante do grupo. Melhor ainda, se cada um a seu tempo, empregar uma variação a ser seguida pelas outras pessoas.

Bom divertimento!




IDOSOS PODEM CONQUISTAR OS JOVENS, SE DIVERTIR ENSINANDO E APRENDENDO






Na relação com os jovens, principalmente as crianças – chamamos de intergeracional – os idosos podem criar um ambiente de aprendizado. Entretanto, a maior conquista será que todos se divertirão muito e os laços de amor serão aprofundados.

Primeiro de tudo é preciso lembrar que aprender é atividade inerente ao ser humano em qualquer idade. O homem é curioso, pensa, questiona, coloca em dúvida a ordem estabelecida e percebe possibilidades inéditas de agir. O fato de questionar-se e indagar o ambiente o faz buscar responder suas perguntas, encontrar alternativas de soluções que possam satisfazê-lo. Assim, fazendo aprende. Através do ensaio e erro, de acertos e desacertos se desenvolve e, ao mesmo tempo, participa e auxilia no desenvolvimento da sociedade. Isso é uma vantagem para os idosos, eles erraram e acertaram mais; portanto sabem!

Aprender gera prazer. Por ser ato pessoal é experiência única, intransferível. É prática que se vive, sempre, individualmente, conquista de cada um, embora possa ser socializada como conhecimento adquirido.

Cada pessoa ao se desenvolver repete, em suas experiências, o modo como a humanidade se desenvolveu. Assim, para toda a aprendizagem há um percurso de maturação a ser feito e, como resultado, teremos pessoas mais ajustadas ao seu ambiente, com vivências únicas que transformam sua realidade, fortalecendo-as nos aspectos físicos, cognitivos e psicossociais.

Por onde se dá início às aprendizagens? Pelos órgãos dos sentidos: visão, audição, paladar, tato e olfato. O ambiente em que a criança vive é rico em estímulos. Desde o útero, o bebê se acostuma com os sons que ouve, seja do organismo de sua mãe ou de sua voz; a partir do sexto mês de gravidez, já com os ouvidos totalmente desenvolvidos, escuta o ambiente externo e a ele responde.

Ao nascer, uma profusão de odores, sabores, imagens, toques, ruídos, cores desafiam a criança e a instigam a desbravá-los. Ela se vale de todos os recursos disponíveis e interage com o ambiente. E sobre ele aprende, conquista novos conhecimentos. Conhecendo o seu entorno, aprofunda-se no conhecimento sobre si mesma.

Há um sem número de atividades que poderão ser aproveitadas para estimular os órgãos dos sentidos e mantê-los preservados tanto das crianças quanto das pessoas idosas.

Comecemos pelo tato.

Separe vários objetos, utilizando desde gravuras retiradas de revistas, fotos familiares, novelos de lã, tecidos, talheres, pincéis, brinquedos e tudo o que se puder colocar em uma caixa fechada ou em um saco de TNT grande.

O mais importante, aqui, é que os objetos usados não sejam unicamente ilustrações impressas que muitas vezes distorcem o estímulo e refletem uma realidade distante, talvez desconhecida para quem participa do jogo.

A foto de um coelho, por exemplo, pode ter um título? Quem pode dizer algo sobre ele? Como é tocá-lo? Qual a sensação que dá? Com o que se parece? É macio? Áspero? O que ele come? Como anda?

Aqui vale fazer o maior número de referências sobre o coelho, comparando-o aos objetos que estão na caixa ou no saco de TNT. As crianças, adolescentes, adultos e idosos que participam deste momento têm histórias para contar sobre sua experiência com este animal?

O vovô e a vovó podem transformar as brincadeiras com seus netos – e mesmo com adolescentes desde que descubra quais seus interesses - ajustando estas dicas. Atenção: vocês estão em um processo de ensino e aprendizagem, porém têm que ser brincando e se divertindo.