TUDO COMEÇA PELO AMOR

O amor é a mola propulsora que orienta nosso modo de ser e nossas ações.  Graças ao amor, somos capazes de fazer algo inédito em nossas vidas, algo que nós mesmos não nos julgávamos capazes de pensar, quanto mais de fazer.  Aprendi e vivenciei essa verdade nos quinze anos em que cuidei de três idosas da minha família: minha mãe e duas tias. Estas mulheres acompanharam meu desenvolvimento desde criança e também me ensinaram a ser quem sou.

As experiências que vivi com elas foram únicas; tão distintas uma das outras quanto diferentes são as pessoas. Três irmãs com quem convivi toda a vida, mas que só vim a conhecê-las mais efetivamente quando me dispus a ajudá-las em sua velhice.

Os cuidados com a saúde de mamãe ocorreram após o falecimento de meu pai. Acompanhar sua velhice, retribuir-lhe a dedicação de uma vida era algo natural, todo o tempo esperado e eu me preparara para ele.

INTEGRAR IDOSOS NAS REUNIÕES FAMILIARES

Uma das consequências do avanço tecnológico é o quase isolamento em que vivemos.  Preferimos trocar as conversas pessoais pelas mensagens escritas em WhatsApp, Face book ou em outros canais de comunicação digital e por conta disso já não necessitamos fazer nenhum outro esforço a não ser o de pegar o celular e enviar comentários, críticas, elogios, opiniões.

Mensagens diretas, objetivas, monossilábicas, onde o que importa é a rapidez com que enviamos nosso comentário para prender a atenção da outra pessoa, escrito sem maiores cuidados ou organização lógica do pensamento, pontuação, concordância, com abreviações que mais parecem um tipo de código e emojis engraçadinhos que garantem a sensação de que sentimentos estão sendo transmitidos juntamente com as mensagens.

Em minha infância, o dia de Natal, assim como os aniversários dos parentes mais idosos, era comemorado em casa de meus avós. Nessas ocasiões reuníamos pelo menos 22 pessoas da família. Aqueles eram dias aguardados por todos com muita alegria, pois sabíamos que o almoço avançaria

SOBREVIDA, COMO ASSIM?

Estimativas feitas pelo IBGE apontam que em 2032 o Brasil passará a ser considerado um país envelhecido – prefiro dizer longevo – como consequência da presença de 32,5 milhões de brasileiros com 65 anos ou mais. Essa quantidade de pessoas idosas corresponderá a mais do que os 14% da população que a Organização Mundial da Saúde - OMS considera necessário para qualificar um país como sendo velho. Este é um fenômeno mundial, resultante da queda nos índices de natalidade, assim como da elevação das condições de vida em geral – o que assegura, para esses idosos, mais vida por mais tempo.

Meu pai foi uma pessoa com quem todos gostavam de conversar. Ele não se intimidava em enfrentar situações novas e, nessas ocasiões sempre comentava algo a respeito de um fato conhecido por todos ou sobre alguém presente na rodinha na qual se encontrava – um elogio, geralmente – de forma tal que fazia as pessoas se descontraírem o suficiente para começarem a aproveitar sua presença naquele grupo.

Poucas vezes vi meu pai perder o controle e, quando isso acontecia, sabíamos que precisava ficar sozinho, preferindo amargar seu desgosto quieto, pensativo, até se cansar. Então voltava a ser a pessoa falante e alegre que tão bem conhecíamos e tanto admirávamos.